Como anunciado em nossa comuna no orkut, o Bem Morgado foi ao show do O Teatro Mágico no Bar Opinião, quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008, e registrou tudo pra ti.(http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=74199885)Chego ao Bar Opinião, palco consagrado de inúmeros shows em Porto Alegre, meia hora antes da apresentação. Há algo diferente, diferenciado, melhorado no ar.
Pessoas das mais variadas idades, jovens com as caras pintadas de palhaços, sorrisos, aqueles sorrisos que tornam-se cada dia mais raros neste "Admirável" Mundo Novo.
Me reservo, ansioso. Olho no relógio. De novo. E mais uma vez.
Entre uma ceva e outra, escuto o grande público que já toma as dependências do local fazendo uma contagem regressiva... 5... 4... 3... 2... 1... Sincronicidade perfeita.
Nas primeiras notas, o público explode, com as letras das músicas na ponta da língua, pulando parelho com a Geral Tricolor em dias de vitória no Monumental.
Então, me veio a resposta. Lembrei de um show dos Los Hermanos muitos anos atrás, em lugares como aquele, que acreditavam na forma mais bela e pura de arte, a interativa.
Os passos do Teatro Mágico ficam claros agora. Eles são (e serão mais), em poucos meses, o melhor show de arte do Brasil. Anote. E por favor, me cobre.
A qualidade musical e técnica dos músicos, entre violinos, flautas, guitarras, CDJ e bandolins só é alcançada pelos malabarismos realizados por uma garota que, em meio ao público, brinca com o corpo e os limites subindo e descendo de dois tecidos pendurados no teto. Poesias são recitadas em meio às músicas, vejo pessoas sorrindo sozinhas enquanto Fernando Anitelli divide suas composições com uma galera que entende cada significado que as letras possuem.
O jogo ja tava ganho. O conjunto tava completo, nada podia melhorar. Então, quando começa a música Realejo, noto uma comoção maior, pessoas chorando, emocionadas. Perdi algo, porra!?
Uma garota do público, uma fã, pintada e com as roupas dignas dos músicos, sobe ao palco, acompanhando toda a melodia gesticulando sinais perfeitos e harmônicos. A linguagem dos sinais dos surdos-mudos. E em meio a aplausos e lágrimas da galera, vejo a força daquilo. A simplicidade e pureza daquele momento. "Obrigado!", me pego dizendo.
Se você não conhece O Teatro Mágico, certamente vai conhecer. E quando conhecer, vai lembrar deste texto sincero, e porque não, emocionado.